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Sobre Nostalgia.

  Boa noite!

  Meus olhos narram a nossa história.

  Não te é novidade que teu silêncio não me traz sossego. Mas confesso que, se pudesse escolher, certamente estaria agora usufruindo dos benefícios da tua presença muda. Esperando por qualquer beijo teu. Exatamente, tu lembras, como a primeira vez.

  Hoje enxergo meu reflexo em um espelho qualquer e não encontro nada além deste constante anseio pela volta do teu toque. Um oceano inteiro de amargura, ódio e dor. A sofrida e tortuosa solidão que insiste em me mostrar que não sou mais teu.

  A obscuridade da noite só possui encanto por discrepar com a luz do dia. Assim sou eu e somos todos nós. Quando estamos longe do que nos emana luz, algo nos rememora sua existência. O sol é onipresente. E assim és tu, estando por todos os lados. Seja noite ou dia, tu estarás residindo em meu peito. E este tempo em que tu te encontras longe será apenas um hiato entre nosso nirvana.

  Enquanto estou aqui, distraindo-me com palavras, minha memória distrai minha tranquilidade.

  Falta-me voz para gritar clamando ao destino para que essa dor acabe.

(Ayrton Neto)

É assim.

Me torra os neurônios.

Colmeias e Conflitos.

  Eu não sei lidar.

  Essa anarquia emocional que causas quando meu peito confunde-se entre arquejo e quimera, só de saber que estás aqui. Não sei se teu coração já fora atingido por tamanha distração, ou se ele será capaz de entender o que o meu vem sentindo nestes últimos dias, mas pretendo achar um significado nessa loucura toda.

  Sou a história que vai lhe parecer real. Uma inteligível maneira de saborear tua madrugada. Mas, na verdade, todos os meus versos não passam de subterfúgios, para que tu dividas essa noite gélida comigo. 

  E pode ser só mais essa. 

  Minhas palavras não têm apenas como objetivo fazer com que tu me queiras aqui, mas que cries coragem para verbalizar o teu desejo. Eu criei a dita valentia e estou aqui te questionando, apesar de já conhecer tua resposta: silêncio. E, tu sabes, essa é a resposta que carrega os piores significados. Será - como sempre foram as minhas marchas - esguia, sinuosa e áspera, esta minha espera por ti.

  Somente tua doçura será capaz de cicatrizar as feridas deixadas pela ausência de afeto.

  Já tive medo de transparecer um exagero na mais inocente das condutas. Eu só sou exagerado com quem gosto. Pergunte para as outras. Pergunte para si mesma. Nunca soube interpretar as tuas esquivas após atitudes. Nunca soube diferenciar. Cansei de te ver perto e não carregá-la nos braços. Culpei todas pelo erro de uma, mas cansei de amar tudo o que só posso conjugar no passado. E tu foste a única que, mesmo “brincando”, me entendeu.

  Não brinques mais de gostar, uma hora eu vou acabar acreditando.

(Ayrton Neto)

  Tarde demais…

Cancro Emocional.

  Meu pesar tornou-se um eco.

  Pensamentos com a cor do mais tinto dos vinhos me compelem à lembrança dos teus cabelos castanhos dançando ao vento. Me encontro, então, perdido no entremeio dos dias em que perder a fé de que tu serias minha eternidade era um crime. 

  Tua falta me quebrou tudo o que sempre quis unir.

  Eu hoje bebo para tirar o pouco que ainda restou de ti, aqui em mim.

  Pareço estar envolto por estas ilusões passageiras que me castigam, transportando-me ao dia em que me avistastes pela primeira vez, jornadeando pelos corredores. O que me resta agora, é aguardar o dia em que as lágrimas que permiti que hoje molhassem o teu semblante carregado, tenham imergido até o afogamento a tua dor e a minha culpa.   Só assim poderei encher meus pulmões de ar. De volta. De novo.

  Eu poderia ter sido melhor. 

  Eu deveria.

  Vou te presentear com a minha ausência. 

(Ayrton Neto) 

 Feliz aniversário.

Arte Hebraica.

  A gélida brisa, provida dos mais obscuros cantos desta cidade, ecoou pelos arredores do roto asfalto que cercavam minha residência naquela madrugada de 3 de maio de 2013. Abafando então os murmúrios reprovativos dos ignóbeis de alma negra. Pude ouvir, enfim, o primeiro acorde errado na música da tua vida. 

  Um dia aprenderei a amar as tuas cicatrizes.

  Teu espírito e a minha voz tornaram-se um. Ambos em ti. E cada lembrança que tu guardas com carinho, fundiu-se com os contos escritos pelo fogo, que os demônios hoje vociferam à tua cabeça. Tu clamas por silêncio, mas sabes que é a mim que eles ouvem.

  E eu não pretendo intervir.

  Enquanto eu devaneio por este caminho bordado de ódio, a tua saliência furtiva continua atrás de um calor que não te aquece e só te queima. Falta-te um coração que a sirva como bússola. Uma morada, um trajeto e um porvir.

  As linhas aqui penejadas serão o meu último esforço para reencontrar a perdida linha da minha vida.

(Ayrton Neto)

  O resto será silêncio.

Sinônimo de Fitar.

  O teu mimo.

  Algo que adentra minhas entranhas e amplifica minha caixa torácica. Ecoa por meus ossos, redundando em um grito silencioso e arrebatador. Não te assustes. Há coisas que sim, causam medo. Coisas das quais eu nunca temi, mas hoje fujo. Algumas palavras que faziam todo o sentido, mas que hoje são menos úteis que um jornal de ontem.  

  Sigo tentando decifrar a língua dos teus olhos.

  E aqui estou. Tripudiando meus dedos sobre teclas incertas, nunca ostensivas, mas sempre irrefletidas, na utópica busca pelo calor das tuas mãos. Sentindo saudade do tempo em que eu desconhecia o sentido da solidão, me pego lembrando das coisas que me fogem o controle. Aquilo tudo que me encabula, quando eu teimo em tentar te professar. 

  Tu ages como se o vazio fosse capaz de controlar o que nem o tempo resolveu.

  Eis que a tua música invade o meu silêncio. Ainda não aprendi a te tocar, tampouco consegui decorar os teus versos. Pela minha tristeza, nota-se que são poucas as vezes em que tu tocas no meu rádio, então passo o dia todo encaixando minhas palavras na tua melodia.

Eu sempre gostei mais de ti assim: instrumental.

(Ayrton Neto)

O teu amor é vida em excesso.

Tempestade Intracraniana.

  Te escrevo na ilusória tentativa de manter-te em meus dedos.

  Lembro de fitar os teus olhos, assentar-me à beirada da tua cama e propalar sobre o que nunca me foi oportuno. Ali pude ver todo sentimento que eu - mesmo sem entender - te escrevia, escorrendo pelos teus lençóis.

  É imensurável.

  Imensurável também, é tudo que vem anexo à realidade de sentir algo que o peito nunca foi capaz de suportar.

  Meus olhos gritavam mais alto que o barulho estridente da TV que iluminava a nossa insone madrugada. E tu, obstúpida, olhavas para aquilo tudo, como se não fosses hábil o suficiente para entender as destonadas vozes que vociferavam à tua cabeça.

  Foi retirada toda mobília do meu peito. Sobrou apenas um projetor que reproduz, em câmera lenta, o século que os nossos últimos minutos se tornaram.

  Tudo que eu preciso agora é de tempo para te reconstruir. 

(Ayrton Neto)   

  Meus brados sumiram no ar. Dispararam para longe e já não mais alcançam os teus ouvidos. Vai e vive. Acreditando que será fácil.

Objetivo Subjuntivo.

  Meu destino é vincular para sempre teu nome a um pronome possessivo.

  A vida transcende o entendimento e nos ordena a escrevermos nossa própria história. Ortografar de uma maneira tão exata, que a mentira e a verdade se unam em uma narrativa com início, meio, e um fim, cuja provisão corresponde à minha vontade. Cabe também a ti deixar-se ser escrita, porque tu sabes que tenho muita coisa pra contar. 

  Durante meses concordamos quando nossas opiniões eram diferentes e divergimos quando nossos sentimentos eram iguais. Mas a sombra nos mostrou o que a luz escondia e hoje que seguro tuas gélidas mãos, soltá-las não é uma opção.

  Há alguém com a eterna necessidade de dizer-te o que sente. Achar qualquer desculpa para te ter sempre ao lado. Dizer que está arrependido por já ter respirado um ar diferente do teu. Esse alguém te quer. Esse alguém sou eu. E esse alguém já não sabe viver na intimidade da tua ausência.

  Ela, a tua ausência, é algo que guardo comigo.

  Que todas as palavras transcritas para o livro da nossa vida, descubram moradia perpétua no teu coração. E que os meus sentimentos exerçam em ti, a mesma revolução que exerceram sobre mim. 

  É só tu nunca mais sair daqui.

(Ayrton Neto)

  Que siga sempre platônico. Teatral. Diário. Quase arrogante. Persistente. Mais que demais.

Sobre Tu e Você. 

  “Se fosse uma cobra, teria me picado!”. Essa expressão antiga, é usada quando encontramos algo que procurávamos por todos os cantos e que, no fim, estava na nossa frente o tempo todo.

  Eu estava procurando uma luz. Andando em círculos, buscando as minhas respostas dentro das tuas perguntas. Mas nenhuma pergunta nunca foi grande o suficiente para comportar a resposta que eu procurava. Excesso de atenção em alguma coisa, é desatenção para outras. E só eu sei o quanto o caminho até aqui foi perigoso. Muitas vezes me vi caminhando sobre um chão coberto de olhos invejosos, desviando de mãos e braços ávidos por um esparro na tentativa de me fazer cair. Hoje me sinto inerte frente ao que desejei enquanto trilhava sozinho esse caminho excruciante. Não foi fácil chegar no agora.

  Transformastes o meu amanhã em ontem: hoje.

  É impossível definir o momento exato do nascimento de uma paixão. Talvez não seja o tipo de coisa que possamos procurar até encontrar. No entanto, fico me perguntando como consegui viver sem, durante tanto tempo. O mundo, assim como a gente, nunca está completo. Vive mudando. Vive-se para mudar. Muda-se para viver. Mas eu sempre soube que era amor. Sempre soube que cada palavra importava. Era amor antes de ser.

  E eu, que procurei por todos os lados, mantive-me cego para o que realmente emanava luz. Tu, que sempre achei que nunca prestarias atenção em mim, nem com todo o barulho do mundo. Tu, que sempre estiveste do meu lado, seja pedindo, ou entregando carinho. Estavas aqui, e de cá nunca saiu. E de cá não sairás mais.

  A tua ausência ocupa a minha cabeça, até demais.

(Ayrton Neto)

  É… Se fosse uma cobra, teria me picado.

3ª pessoa do singular.

  Foi o medo ou a coragem que nos fez chegar até aqui?

  O tempo nos faz esquecer de quase tudo. Mas eu ainda lembro, como se fosse amanhã, de todas as pedras do nosso tortuoso caminho. Se eu soubesse antes, tudo o que sei agora, erraria nos mesmos detalhes. Algumas falhas são necessárias, para que saibamos exatamente onde estamos, exatamente o que sentimos e exatamente o que queremos. 

  Somos uma luz que não produz sombra. Uma folha negra em branco.

  A nossa felicidade reside no agora. Mora na ilusória fração de tempo em que o passado toca o futuro. Nosso futuro. E se o passado é preocupação, sobra para o futuro a distração. Aquilo que sempre buscamos. Aquilo que eu sempre tentei definir. Espero estar vivo para te escrever sobre como valeu a pena largar todo o resto para viver do teu lado. 

  Eu posso não ser um monte de coisas, mas tenho certeza de tudo aquilo que sou: o sofá da minha sala de estar, a cena mais obscena do teu próximo capítulo, uma garrafa vazia de vinho jogada no chão do teu quarto, um chimarrão bem amargo em um domingo de sol, e tudo o mais que tu quiseres viver junto a mim. Sou teu. E se isso não basta, que baste o amor.

  Você me faz correr demais os riscos desta highway.

  (Ayrton Neto)

  Enche teus pulmões, porque tu vais precisar de todo o ar que eles puderem conter.

  Escute enquanto lê. Já clicou no play? Clica agora, então. Eu odeio essa música, mas não consegui pensar em um título para esse post. Virou romance que não se rotula. Um romance que não existe mais. Ela lembra um dia especial pra mim. O dia em que eu comecei a acreditar mesmo na “verdade”. E olhe só para onde foi tudo isso. Bueno:

  Foi por tanto sentir que vejo o ‘nós’ esvaindo-se pelas mãos.

  Abandonei todas as tuas memórias tristes depois que teus dedos tocaram meus cabelos embaraçados. Nada mais me remetia a tuas outras histórias ou os teus outros amores. Quis me manter no depois. O que veio depois de tudo isso que te magoou e que tornou-te no que és. Eu quis construir tudo do zero, enquanto tu te escondias atrás dos teus medos. Um “não mais querer” disfarçado de “não sei como querer”. Uma indecisão entre o algo e o nada. 

  Eu sei que é em mim que pensas antes de dormir e, tu sabes, que não há mais ninguém no mundo que seja capaz de me motivar a escrever essas coisas. Estejas perto ou longe. Não há mais ninguém capaz de me fazer sentir essa alegria que até tuas duras palavras me trazem. Traziam. Talvez tenhamos sido quase importantes um para o outro. Fomos quase algo que hoje é nada. Ou é algo. Sempre será algo. Sempre haverá o vazio. Só tu és capaz de preenchê-lo. E eu vou esperar por esse dia, sabendo que não chegará. 

  Tu estás aqui dentro. E de cá não sairás mais. Por mais que eu pare de dizer. Por mais que meus olhos não te encontrem mais. Por mais que a minha vida perca todo o sentido com essa nossa bipartição prematura. 

(Ayrton Neto)

  Não existe mais janela. Não vemos mais o pôr-do-sol. Só há a dor de lembrar que eu segurei a felicidade nas mãos e não consegui mantê-la comigo. 

  Tobrigado.

Prenda Minha.

  Eu saí te procurando.

  Andei por todos os lados. Tropeçando em outros corpos e esperando por qualquer vestígio teu. Só tinha escassas informações sobre como eras, na verdade, não sabia mais nada sobre nada. Sabia que estavas por aí, e que chamarias minha atenção quando eu a visse. E sabia que tinha que te encontrar. 

  Foi aí que, finalmente, em uma tarde perdida, te encontrei.

  Encontrei em teus braços tudo que eu precisava. Um conchego. A remuneração pela dolorosa espera. A angústia de não saber quando poderia te sentir de novo. Sentir teus braços enrolados aos meus e tuas pernas entrelaçando-se às minhas. A alegria de te sentir minha por, que seja, alguns minutos. Nunca mais esquecer que, teu coração bateu junto ao meu. E ainda sinto bater.

  Agora, tudo que eu preciso é ter certeza do teu amor. Posso desconhecer o rumo que as coisas estão tomando, mas sei que estaremos juntos. Como sempre. Como devemos estar. Juntos. Eu e tu. Independentemente de tudo o que nos envolve. E eu sei que, do teu lado, estarei feliz. E tenho certeza que tudo dará certo. 

  Nunca fui de me prender a detalhes.

(Ayrton Neto)

Já passaram muitas luas, prenda minha. Muitas luas já passei. Fiz promessa pro negrinho, coitadinho. Por isso que te encontrei.

Meu Arranjo

  Tem coisas que não podem ser explicadas, mas que, às vezes, dão vontade de explicar. 

  Essa dor que tu sentes.

  Esse efeito que jamais imaginei ter na tua vida, que te desliga de todo o resto do mundo, te coloca em contato com mil medos e em mil lugares que tu não querias mais me enxergar. Nada disso foi feito para te derrubar. E quando teus olhos brilharem perto de mim o bastante para te alcançar com meus braços, tu vais esquecer todas estas dores.

  Esse frio me lembra Porto Alegre. Essa loucura me lembra que o teu mundo virou de cabeça pra baixo, com a minha ajuda. Posso ver-te caminhando, por muitas vezes de mãos dadas com outros errantes, e foi por ver isso que perdi minha calma. Talvez seja difícil entender que precisamos colocar tudo no devido lugar. 

  Sorria, pois já é quase dia e o sol já está por vir.

(Ayrton Neto)

  Agora deixa eu acreditar que vai ser fácil. 

Palavrantiga.

  Os meus olhos contam a nossa história.

  Assim como as pétalas daquelas flores, os pedaços da minha alma hoje ocupam cantos obscuros do teu quarto. Acumulei explosões na alma, esperando que tu me emprestasse um pedaço da tua. Alguém em ti que, como eu, também explodisse.

  Sou um rascunho.

  Escrito por mãos trêmulas. Não somente pelas feições faciais mal desenhadas, mas por não conseguir andar em linha reta por muito tempo. Sempre surge algum empecilho no caminho, me impedindo de continuar. Uma leve distração, garantindo a difusão e levando consigo minha perfeição. Não confio mais que algum dia, alguém seja capaz de passar-me a limpo. 

  És um caminho.

  E eu já não sei mais como te encontrar, então prefiro te manter longe. Não sei mais como te dizer. Não sei mais o que dizer, então prefiro não dizer mais nada. Deixe-me com as memórias e o tempo fará o que lhe cabe. Talvez tu não saibas o quanto me doeu perceber que uma bifurcação era a única saída. Vai e vive. Com a certeza de que sempre estarei esperando o dia em que a tua saudade seja maior que uma palavra.

  Somos um antigo rascunho procurando um novo caminho.

(Ayrton Neto)

www.youtube.com/watch?v=3quWeQW2w7g